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  • Foto do escritorBromélia Instituto

Abandono de animais, solução ou transferência de problema?

Por Ariane Oliveira




No Brasil 30 milhões¹ de animais vivem em situação de rua, em nossa comunidade são cerca de 20 animais (comunicação pessoal) que sobrevivem com o apoio de nativos e alguns turistas que se sensibilizam com a causa. As causas do abandono vão desde um latido a viagens que resultam em danos não apenas para o animal, mas para toda a população. Os danos causados pelo abandono refletem não apenas na vida do animal como em toda a sociedade, podendo acarretar em encargos judiciais para o tutor.


Quando se adota um bichinho de estimação, você assume uma responsabilidade e deve, portanto, zelar pelo novo membro da família. Vacinar, alimentar e levar para passear são cuidados mínimos e caso você em algum momento cogite a possibilidade de abandona-lo saiba que isso é crime, a lei Sansão estabelece pena de dois a cinco anos de reclusão para quem praticar atos de abuso, maus-tratos ou violência contra cães e gatos. As principais causas do abandono de animais são²: problemas comportamentais, como os latidos; mudanças de casa ou regras de conduta do local onde se vive; estilo de vida do proprietário do cão e a diferença entre a expectativa ao adquirir o animal e a realidade dos cuidados necessários. Os números de animais abandonados tendem a crescer consideravelmente durante as festas de fim de ano, quando o tutor se ausenta para viajar de férias e deixa o animalzinho a própria sorte na rua onde ele dificilmente conseguirá sobreviver.


Por nossa comunidade ser um local turístico bem conhecido, as pessoas acreditam que trazendo o animal que está dando problema para ele estará o resolvendo e sanando também suas necessidades básicas. Acontece que doenças altamente contagiosas como a cinomose já levaram animais de nativos (eram filhotes e não haviam completado e esquema vacinal) na mesma época tivemos casos de leishmaniose que contamina também humanos. Apesar dos fatos já terem acorrido anos atrás o problema do abandono se tornou um círculo vicioso já que pessoas adotam o animal, e quando ele apresenta desconforto para o tutor então é abandonado, o tutor pode adotar outro e logo que ele vira um estorvo o abandona. Lembrando que os animais não são castrados e se reproduzem rapidamente. No momento estamos tentando trazer o Castra móvel na comunidade, ação que já ocorreu por aqui, mas hoje ela ocorre em Itabira e os moradores locais e das comunidades vizinhas não tem condições de os levar. Apesar de acreditar que o problema foi resolvido descartando o animal, pode-se estar criando outros não só para este como para toda a população como: proliferação de doenças zoonoses-leishmaniose, raiva e leptospirose; acidentes de trânsito; aumento do índice de maus-tratos por pessoas intolerantes; super população de abrigos; etc.





Uma das formas encontradas para se tentar amenizar o problema foi a instalação de placas sobre conscientização sobre o abandono de animais uma vez que, já sofremos com o surto de cinomose (citado a cima) doença infectocontagiosa que afeta cães causada por um vírus, ela é altamente contagiosa e acomete cães que ainda não terminaram o esquema vacinal ou que não costumam receber o reforço anual da vacina múltipla (V8, V10, V11 ou V12). Pedimos também que os proprietários orientem seus hóspedes a não andarem sem utilizar a guia em seus bichinhos na vila. A Serra dos Alves está inserida na Area de Proteção Ambiental Morro da Pedreira e por isso não é recomendada a presença de animais domésticos em seus atrativos. É comum que os animais abandonados na vila acompanhem os visitantes em passeios e atrativos acontecendo deles se perderem, por isso pedimos que não os incentivem a acompanhá-los.


Fica para nós uma pequena reflexão: quanto de humano tem dentro de cada um de si quando um ser tão indefeso nos entrega amor, carinho e a até mesmo acolhimento, para que, nos primeiros desafios cotidianos a única opção encontrada seja o abandono? O descarte daqueles que mais a frente encontrará possivelmente outro sabor amargo da desumanidade de outro ser humano que parece não conhecer o verdadeiro significado da palavra compaixão e mesmo assim após tantos encontros com o nosso pior lado esse cachorrinho ou gatinho caso tenham sorte de sobreviverem e encontrarem um novo lar não guardarão rancor muito pelo contrário amará seu novo tutor com todas as suas vidas. Pense muito antes de adotar ou comprar um animal, e faça a seguinte pergunta: sou eu capaz de arcar com as despesas medicas de rotina? Tenho tempo para leva-lo para passear? Estou ciente que ele pode viver até 12 anos então caso me mude ou viaje terei que leva-lo e na velhice será necessário ainda mais cuidados?


‘’A grandeza de uma nação podes ser julgada pelo modo que seus animais são tratados’’ (Mahatma Gandhi)


¹ Organização Mundial de Saúde.


² E ³ Blog Totós da Teté.

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